O homem pode não ser rico, mas se ele tiver na bagagem a leitura será mais que isso: será sábio. A sabedoria, sem dúvida, é grandiosa, é tudo na vida, não na morte. Na morte, todos os homens são igualmente leigos.

Margarete Solange. Contos Reunidos, p. 98

sábado, 16 de maio de 2015

Santa Fé x São Bernardo

Texto de Vitória Lima

Só conseguimos deitar no papel os nossos sentimentos, a nossa vida. A arte é sangue, é carne. Além disso, não há nada. As nossas personagens são pedaços de nós mesmos, só podemos expor o que somos.”  
                                          Graciliano Ramos

Com esta citação, Margarete Solange Moraes, escritora de Natal, RN, dá início ao seu romance “Santa Fé” (Mossoró, RN: Sarau das Letra, 2014).
A admiração da escritora pelo autor alagoano vai se delineando aos poucos na narrativa, a partir dos títulos das obras. Ambos os romances (“Santa Fé” e “São Bernardo”) referem-se às propriedades rurais nas quais se desenrolam as respectivas ações. No romance de Margarete Solange temos como protagonistas a professorinha Jaqueline e o dono de terras Seu Ricardo, que em muito se assemelham aos protagonistas de Graciliano Ramos em “São Bernardo”: a professora Madalena e o também dono de terras Paulo Honório. Os conflitos desenvolvidos pela trama, a luta pelo poder dentro da relação, são claramente delineados tendo o romance de Graciliano no background. Esta comparação é mesmo explícita e muitas vezes “São Bernardo” é citado pelos protagonistas de Margarete Solange. Seu Ricardo, como Paulo Honório, é um homem autoritário, sisudo, de barba fechada, mãos ásperas e segue à risca o modelo do “Byronic hero”, o herói bairônico, que tem como inspiração o herói Heathcliff, protagonista do romance “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Brontë. Aliás, este modelo de homem rude ainda hoje exerce grande atração sobre a imaginação feminina, haja visto um personagem recente, o Capitão Herculano da novela “Cordel Encantado” da Rede Globo, que tanto impressionou o público feminino.
Mas a autora Margarete Solange faz questão de atualizar sua trama e questiona o desfecho dos romances vitorianos, ou mesmo de alguns mais modernos, mais desconectados com a revolução das mulheres. Em trecho metalinguístico, perto do desfecho da sua obra, ela diz:

Nada acontece num romance sem que o autor consinta [...] Sei que se ela (a sua própria narrativa) fosse escrita por um romancista de outros tempos, ele certamente incluiria os capítulos finais narrado a morte do personagem principal [...] Vendo por outro lado, seria até interessante que, nas narrativas atuais, o homem saísse de cena para que o destaque ficasse com a mulher. Esse desfecho seria assim como que um retrato de minha época: a mulher ganhando espaço, superando a fragilidade, mostrando ser capaz de liderar, firmando-se nos próprios alicerces, sem ser necessariamente amparada pelo braço masculino. Noutros tempos, quase sempre era a heroína quem morria no final da história. (Santa Fé, pp. 157-158).

Embora muito se questione ainda hoje a relevância da questão da autoria feminina versus a masculina, considero que nos dois romances em questão a autoria e a escolha dos respectivos narradores determinam o desfecho da trama. Em “São Bernardo”, o personagem Paulo Honório é também o narrador da sua própria história:

Começo declarando que me chamo Paulo Honório, peso oitenta e nove quilos e completei cinquenta anos pelo São Pedro. A idade, o peso, as sobrancelhas cerradas e grisalhas, este rosto vermelho e cabeludo tem-me rendido muita consideração. Quando me faltavam estas qualidades, a consideração era menor.  (São Bernardo, Rio: Record, 1979, p. 12).

Em “Santa Fé”, a narradora é a própria protagonista, Jaqueline, uma jovem de 25 anos, em busca de sua realização pessoal e profissional. A autora não tenta esconder as fraquezas de sua heroína/narradora, apresentando-a, às vezes, como uma pessoa calculista e, como ela mesmo se define, “esperta”. Muito diferente da indefesa Madalena de Graciliano. Esta “esperteza” a impede de cair em depressão ou entregar-se ao desânimo quando vê seus planos caírem por terra. Pelo contrário, aos poucos ela vai conquistando os corações mais empedernidos que a cercam e mesmo o seu selvagem marido termina sendo “domado”. Ela consegue aplacar o seu ciúme (lembro aqui que Seu Ricardo, como Paulo Honório, é um homem rude, mais velho e, às vezes, sente-se diminuído perante a mulher, mais jovem e instruída, com um diploma de professora  e,  por isso mesmo, com um melhor domínio das palavras). A aparência pouco cuidada dos dois personagens masculinas contribui para que se sintam inseguros quanto ao amor de suas esposas, mais jovens, educadas, delicadas, cultivadas. É interessante observar também a ênfase que os dois autores põem sobre as mãos desses personagens: ásperas, calejadas pelo trabalho no campo. No caso de Paulo Honório, grandes e cabeludas, o que as torna até um pouco assustadoras: mãos de ogro. Mas o parágrafo final de “Santa Fé” não deixa dúvidas quanto ao acordo celebrado pelo casal, que consegue superar as diferenças e viver em harmonia. E é também interessante observar que a mulher passa a cuidar das mãos do marido com cremes e massagens, uma atitude simbólica que a ajuda a conquistar-lhe a confiança. O pragmatismo e o interesse, que tinham antes aproximado Jaqueline e Seu Ricardo, transformam-se em afeto verdadeiro, em confiança mútua:

A partir de então, procurei passar mais tempo ao lado do meu marido. Ele aproveitava para me ensinar a administrar todos os negócios que mantinha nos limites da fazenda Santa Fé.  (Santa Fé, 2014, p.162).

A chave de tudo está na escolha dos narradores, no ponto de vista adotado por cada escritor: Margarete Solange, escritora contemporânea que se identifica com as questões relativas à luta das mulheres, escolhe uma figura feminina que melhor se aproxima de suas simpatias, como narradora. Já Graciliano, um nordestino às antigas, elegeu como narrador um homem, que bem representa os homens rudes e secos com quem conviveu no Nordeste alagoano.  





Vitória Lima,
Escritora Brasileira: 
Poetisa e Professora de Inglês e Literatura.
Autora de Anos Bissextos (1997)
 e Fúcsia (2007).
O texto Santa Fé x São Bernardo
está publicado no Jornal "A UNIÃO"
2º Caderno - Vivências
João Pessoa, Paraíba, 2015
 Quarta-feira, 1 de abril, página 6.
http://issuu.com/auniao/docs/jornal_em_pdf_01-04-15

sábado, 9 de maio de 2015

Agraciada

            poesia de Margarete Solange

Quem é esse anjo que cuida
Da criança doente,
E com mãos leves
Afaga a cabeça carente?
Nas madrugadas silentes,
Pacientemente vela.
Ao longo de sua existência
Zela, exorta, ensina e ama.
Sabiamente aconselha,
E com instinto sobrenatural
Pressente o mal.
Essa pessoa tão terna
Que ao seio alimenta,
Com os braços acalenta
E com a voz doce
Canta canções de ninar,
É uma mulher virtuosa,
Cheia de graça e firmeza,
Que da fragilidade extrai fortaleza,
E se diz bem-aventurada
Por ter sido agraciada
Com a bênção de ser mãe.




Fonte:
Margarete Solange.
Inventor de Poesia 
2ª edição
Oito Editora, 2014,
p. 54

terça-feira, 5 de maio de 2015

Prefácio da obra - O Velho e a Menina

José Roberto Alves Barbosa

Santiago e Ilmar, dois velhos. Ambos aprenderam a enfrentar as agruras da vida com resignação. Aprendi a admirar Santiago muito cedo. Fui apresentado ao velho Santiago por um senhor americano, também velho, chamado Hemingway. Ressaltou o fatalismo de Santiago na tentativa de fisgar um grande peixe. Descobri, então, que Santiago era pescador. Hemingway disse-me que, para aquele velho cubano, pescar era um ritual religioso e, como tal, o holocausto se fazia necessário. Compreendi, assim, a exigência do sacrifício.
Em todo sacrifício há derramamento de sangue, por isso Santiago não só feriu, também teve que ser ferido e aspergir o produto de seu esforço com o próprio sangue. A maior dor que o velho teve que enfrentar foi a frustração de não obter o peixe tão desejado. Fora comido pelos tubarões. Devoraram tudo, não só o seu amigo peixe, mas também seus sonhos e expectativas.
Ilmar também teve os seus sonhos literalmente castrados. O amor desiludido, a dialética relação entre a esperança e o desencantamento permeava sua mente. Ouvi de Santiago, pelas palavras de um homem, mas foi uma mulher que me contou de Ilmar. Margarete destacou dilemas e frustrações do velho angustiado. Pela formação religiosa que lhe é inerente, Margarete preferiu ressaltar a comicidade e os resultados da experiência do velho Ilmar. Fiquei encantado com a história do velho, também sofredor. Em face da penumbra de sofrimento que acompanha Ilmar, acabou sendo inevitável fazer associações entre os dois velhos: Santiago e Ilmar. Por conhecer os lugares por onde passou Ilmar, acabei me identificando com o cenário em que ele viveu. Às vezes, chegava a me ver caminhando nas praias de Pirangi e Areia Branca. Pelo mar. Ou la mar como preferiria Santiago. Naquelas praias, Ilmar encantava os jovens contando suas estórias. É claro, todo velho, às margens de uma praia, adora contar estórias! Mas com Ilmar era diferente. Contar estórias era como lançar sementes na terra. Participar do processo criador. Construir, ao mesmo tempo, sonhos e ilusões. Celebrar a vida.
Desde cedo, Ilmar percebeu que a vida vale a pena, quando conseguimos lhe dar sentido. Com as estórias do velho sofredor, constatamos que o homem se recusa a ser o que lhe dizem que é. Por isso, através da arte, busca transcender. A arte e a religião transcendem o homem. O próprio Deus revela-se, também na arte. Na poesia de Davi. Nos cânticos de Salomão. Na mensagem profética de Isaías. Na descrição filosófica do logos em João. Talvez seja, por isso, difícil de desassociar a arte de Deus. Hemingway e Margarete partem desse pressuposto. Hemingway, mesmo marcado pelo ateísmo, não conseguiu se desvencilhar da sombra da imagem do sofrimento humano, especialmente o de Cristo. Margarete, ao contrário de Hemingway, respira a fé cristã, por isso não tem receio de inserir, comparar e aplicar trechos bíblicos em sua interpretação do sofrimento.
Seguindo a arte de contar estórias, tanto Hemingway quanto Margarete comungam uma temática evidente no percurso filosófico e cristão. A questão do sofrimento humano. Sofrer talvez seja uma condição existencial.
Deixo-vos, portanto, com a narrativa de Margarete sobre o velho Ilmar, seguindo, com suas palavras poéticas, os desafios enfrentados pelas limitações da vida humana. Se o caro leitor ainda não conhece Santiago, recomendo que o faça. Enquanto isso, ouça a voz de Ilmar. Valerá a pena. No final, como eu, o caro leitor, também, será grato a Margarete por nos legar mais essa porção de sua habilidade literária e concluirá, como Hemingway, que o homem pode ser destruído, mas nunca derrotado.

Julho de 2001




O Velho e a Menina
Margarete Solange.
Oito Editora, 
Natal, 2014, 142 p.
Prefácio de: 
Jose Roberto Alves Barbosa
Foto da capa:
Felipe Galdino



domingo, 8 de março de 2015

Simplesmente Mulher

                   poesia de Margarete Solange

Uma mulher... 
Poesia para os olhos,
 
Delicada, gritante.
Afaga e inquieta a alma. 
Criação do artista que pinta com palavras,
Que compõe versos no barro poético.
Uma mulher é uma composição buliçosa, 
Sem rima, sem métrica, sem certezas.
Inspirada, ambígua, complexa!
Uma sucessão de metáforas, 
Uma alegoria.
Despida de regras: 
Solta, livre... Nua, pura, 
Nem pecadora, nem santa: sem lógica! 
Verdadeira ou duvidosa. 
Bela... Enganosa! 
Sem querer, se faz ser...
Se impõe em versos,
Sendo o inverso, o universo...
Uma mulher é uma pintura única, rara!
Que não se imita, que não se explica.
Em preto e branco ou em cores...
Esplendorosa!
Submissa, contraditória, sagaz! 
Antiga, moderna, atemporal.
Perfeita ou imperfeita: grandiosa!
Arte dominadora e indomada,
Obra prima universal.
Uma mulher é uma mulher
E não precisa ser mais nada!




Fonte:
Margarete Solange
Inventor de Poesia, 
Oito Editora, 2ª, 
2014, p.38 

Fotografia de
 Felipe Galdino In
 Felipe G Fotografia

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Escritora Margarete Solange: trechos de obras



Esse medo que temos de tentar e fracassar muitas vezes nos derrota. Somos capazes, Mas ele diz que não somos, e preferimos acreditar nele, duvidando de nós mesmos. (Trecho do Romance O Velho e a Menina, p 135).
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É natural do ser humano querer ser admirado por seus feitos, e ser considerado grande mesmo na sua pequenez. E para ser grande é preciso perseguir os ideais até alcançá-los, ou morrer lutando sem desistir jamais da batalha. (Trecho do romance O Velho e a Menina, p 120).
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A leitura é o princípio e o meio, a morte é fim. (Trecho do conto CRIANÇAS, em Contos reunidos, p 98).
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Imagino que toda pessoa que já provou do amor incondicional de um cachorro, sente falta de tal devoção em seu dia a dia, até mesmo por parte daqueles que costumeiramente são considerados melhores amigos. (Trecho do conto UMA QUESTÃO DELICADA Contos reunidos, p 190).
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O homem pode não ser rico, mas se ele tiver na bagagem a leitura, será mais que isso: será sábio. A sabedoria, sem dúvida, é grandiosa, é tudo na vida, não na morte. Na morte, todos os homens são igualmente leigos.  (Trecho do conto CRIANÇAS, em Contos reunidos, p 98)

Nós, mulheres de todas as profissões, temos ganhado mais espaço. Não temos a força bruta dos homens e, se assim fosse, isso só aumentaria a violência no mundo; no entanto, temos muita coragem, ousadia e vontade de vencer e isso, sem dúvida, remove muito mais obstáculos que os músculos. (Trecho  do romance O silêncio das lembranças, p. 13).
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Para onde vai a criança que fomos um dia? Por acaso se perde no tempo?... morre?... se vai?... – Não. Está dentro de nós, até o fim de nossos dias. (Trecho do romance O Silêncio das lembranças, p. 84).
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O leitor apaixonado se abestalha quando lê um livro; ri, chora, reclama... Conversa com o autor em voz alta, critica, elogia, intromete-se, dando opinião, por fim, abraça o livro com saudade logo que a história termina. Isso é lindo! Se você é assim, sinta-se homenageado. Mas veja só: esse tipo de abestalhamento não tem cura não. E mais que isso: é contagioso e é contagiante. (Trecho do conto O ENCONTRO DE DOIS CONTOS, em Contos Reunidos, p 133).
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Toda mulher, seja mãe ou tia, precisa de mimos e de um tempinho de folga para cuidar de si. Quando estão felizes, elas conseguem ser pessoas meigas, como no íntimo elas realmente o são.  (Trecho do conto: UMA QUESTÂO DELICADA; em Contos Reunidos, p 190).
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Um poeta busca enxergar a beleza das pequenas coisas. (trecho do romance Fazenda Solidão).
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A leitura é para mim uma companheira inseparável. Quando leio, converso com os livros, concordo ou discordo dos autores, às vezes choro ou dou boas gargalhadas. (Trecho do conto CRIANÇAS, em Contos Reunidos, p 98).
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A verdade é que o significado das palavras por vezes tem traduções diferentes, dependendo do querer de algumas pessoas. (Trecho do romance Santa Fé, p. 31)
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Existe sempre algum dono disposto a vender por bom preço aquilo que tem. (Trecho do romance Santa Fé, p. 32)
 .
Nos limites da imaginação e da mão daquele que cria, tudo se aproveita, nada se extravia. Na vida e na morte, no riso e no pranto, com uma pitada de sal, aumentos e descontos, temperam-se os pontos que se transformam em contos. Tudo se recria: fatos reais, sobrenaturais, o enredo que se lê e o incidente que se conta; o provável e o possível. Aquilo que foi ou mesmo coisa que jamais aconteceu convencem como verdades, especialmente se narrados pelo “eu”. Seja felicidade, tédio ou amargura, para um escritor, nada se perde, tudo se transforma em literatura. 
(Trechos do conto INVENTOR DE CONTOS, em Contos Reunidos, p. 61).
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Os leitores me fazem prosseguir e acreditar que, mesmo não sendo devidamente remunerada nesse meu ofício, escrever não é coisa de quem não tem o que fazer, e que ser escritor é uma profissão admirável.
Ao longo dos anos, a voz dos que leem as minhas obras tem sido peça chave em minha carreira. E, como para mim o leitor importa, e muito, é para ele, e por causa dele que escrevo e aprecio por demais saber que a leitura de meus textos suscita, em alguns, ora gargalhadas, ora lágrimas. E isso não tem preço. 
         Cada um daqueles que entra em meu mundo literário, e vive as histórias que crio e se diverte com meus personagens e ama até mesmo os fantoches exóticos que invento para camuflar a timidez, merece o meu carinho, a minha homenagem. Portanto, queridos leitores, meus amores e minhas amoras, a vocês dedico os meus escritos e deixo-vos a minha herança em palavras. 
 (Trecho do posfácio, em O Velho e a Menina, p. 141)




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Resposta ao Silêncio

                  poesia de Margarete Solange

Fala-se bem do silêncio
Em diversas línguas, 
Através dos séculos...
Entronizado em todas as nações,
O silêncio é soberano.
O silêncio é sábio...
Mas nem sempre.
O silêncio é necessário...
Não em todo o tempo.
Calar pode ser um erro,
Ou não ser a melhor resposta.
Há momento
Em que o silêncio mente,
E situações em que omite palavras
Que seriam preciosas de se ouvir.
Calar mata o condenado
Que anseia por ouvir o perdão,
E o solitário que anela ouvir
Uma palavra qualquer.
Há momentos
Em que em vez de desculpas
Se ouve o silêncio,
E em vez de uma palavra de carinho
Ecoa o silêncio mortal.
O silêncio é bom...
Mas nem sempre.
Há tempos e situações
Em que a palavra precisa se impor,
E usurpar a soberania do silêncio
Para se fazer ouvir
Como melhor resposta.






Fonte:
Margarete Solange
Inventor de Poesia
2ª edição, 2014, p. 36
Oito Editora

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Santa Fé - Lançamento

Sinopse

A propriedade é um mundaréu de terras sem fim. Nos domínios de sua fazenda, Seu Ricardo reina absoluto: vigia tudo e controla a todos. Ninguém ousava contrariá-lo, até que surgiu a nova professora do grupo escolar com coragem e esperteza para ameaçar o seu poderio. Longe da família e dos amigos, a solidão e os dissabores fazem Jacqueline entrar em um terrível conflito interior que a deixa confusa. Observa que virtudes e defeitos são qualidades que por vezes se fundem, mas é natural do ser humano enxergar a maldade em outros, e em si mesmo, somente a bondade que deseja ver. Assediada pelo filho do patrão, prepara-se para não se deixar enganar pelo aventureiro, mas logo se encanta com as belezas do lugar, então movida pela ambição, planeja tornar-se senhora de Santa Fé.


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Santa Fé
Romance de Margarete Solange
Literatura Brasileira 
ISBN: 978-85-60650-92-7
Ano:  2014,  páginas: 170, 1ª edição
Editora: Sarau das Letras:
Imagem da capa: Felipe Galdino.

Em BREVE 
disponível na 
Livraria Saraiva

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Velho e A Menina


Sinopse 

O amor pela menina fez o velho aprender a sonhar novamente. E o sonhar impulsiona o homem a sentir-se capaz. A vida precisa dos sonhos para ser melhor vivida. Não importa se esses sonhos são possíveis ou impossíveis: é preciso ousar! O desesperançado é somente um fantasma sem voz, sem alma, sem rumo. É natural do ser humano querer ser admirado por seus feitos, e ser considerado grande mesmo na sua pequenez. E para ser grande é preciso perseguir os ideais até alcançá-los, ou morrer lutando sem desistir jamais da batalha.


Garras

Esse medo que temos
De tentar e fracassar
Muitas vezes nos derrota.
Somos capazes,
Mas ele diz que não somos,
E preferimos acreditar nele,
Duvidando de nós mesmos.
O homem pode ter asas
Em sua imaginação,
E garras como as águias,
Senhoras das alturas.
Se acreditar que é capaz...

  Margarete Solange

(conteúdo da contracapa do livro)
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Resenha do livro O Velho e A Menina

O romance “O Velho e a menina” é uma história apaixonante. O ambicioso Ilmar deseja chegar ao topo da hierarquia militar, deseja ser rico, poderoso. É próspero em tudo que faz. Aos 12 anos foge de casa, morava em Araruna, município do agreste paraibano, cidade serrana. Queria saber mais sobre a guerra por isso foi se aventurar em Natal. Para crescer na vida, estava disposto a tudo, pisava os fracos, se aliava aos poderosos. Traiu o amigo, tomou-lhe a namorada. Iria casar e ter muitos filhos. Em breve seria sargento, mas o destino deu-lhe uma rasteira e o fez literalmente cair ao chão. Seus sonhos foram castrados e desde então viveu solitário, enclausurado em seu pequeno mundo, onde somente autores e livros tinha permissão para entrar. Hemingway era seu amigo mais chegado, com ele costumava conversar em sua meditações contemplando o vai e vem das ondas do mar no entardecer. Com frequência, relembrava o trecho da história O velho e mar na qual o velho Santiago conseguia fisgar o seu grande peixe. O velho Santiago era admirável, enquanto ele, o velho Ilmar, não era mais. E ele nem era tão velho assim, a velhice chegou para ele prematuramente. Qualquer dia a morte bateria a sua porta e o levaria com ela; não iria resistir, iria segui-la submisso. Lamentava o fato de que nada deixaria que registrasse a sua passagem sobre a terra. Era um fraco, um homem medíocre, assim pensava, até que conheceu uma menina alegre, cheia de vida que o fez novamente acreditar que valia a pena sonhar e lutar para alcançar a realização de todos os seus sonhos, mesmo aqueles que lhe pareciam impossíveis.
Marina Bravia

Trecho do Prefácio
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Santiago e Ilmar, dois velhos. Ambos aprenderam a enfrentar as agruras da vida com resignação. Ilmar também teve os seus sonhos literalmente castrados. O amor desiludido, a dialética relação entre a esperança e o desencantamento permeava sua mente. Ouvi de Santiago, pelas palavras de um homem, mas foi uma mulher que me contou de Ilmar. Margarete destacou dilemas e frustrações do velho angustiado. Todo velho, às margens de uma praia, adora contar estórias! Mas com Ilmar era diferente. Contar estórias era como lançar sementes na terra. Participar do processo criador. Construir, ao mesmo tempo, sonhos e ilusões. Celebrar a vida.

José Roberto Barbosa
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Trecho do Posfácio
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Li O velho e o mar, numa versão traduzida para o português, e isso limitava o meu campo de visão. Chamou-me a atenção o fato de que alguns colegas tinham opiniões contrastantes na análise dessa obra.
[...]
A velhice é inquietante porque limita os passos do homem e anuncia-lhe a morte, e ele não tem como deixar de ir ao seu encontro, a menos que a morte o encontre primeiro.
Essas e outras reflexões se avolumaram em meus pensamentos e, assim, a semente estava plantada. Dia a dia foram surgindo mais elementos para o nascimento de um outro velho. A fonética contribuiu para escolha do nome. Um amigo admirável de bom coração se chamava Ilmar; então esse nome me chegou trazido pelo vento. E embora o Ilmar que eu conheço não seja em nada parecido com o personagem que criei, peguei-lhe o nome emprestado.
Trabalhei algum tempo criando o enredo, montando começo, meio e fim. Visitei a praia onde o meu velho “morou” e ouvi aquilo que os moradores tinham para me contar a respeito do lugar.
[...]
Ao longo dos anos, a voz dos que leem as minhas obras tem sido peça chave em minha carreira. E, como para mim o leitor importa, e muito, é para ele, e por causa dele que escrevo e aprecio por demais saber que a leitura de meus textos suscita, em alguns, ora gargalhadas, ora lágrimas. E isso não tem preço.
A autora





Fonte: 
O Velho e a Menina
Margarete Solange.
Oito Editora, 
Natal, 2014, 142 p.
fotografias de 
Felipe Galdino.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Vida precisa dos Sonhos

O amor pela menina fez Ilmar aprender a sonhar novamente. E o sonhar impulsiona o homem a sentir-se capaz. A vida precisa dos sonhos para ser melhor vivida. Não importa se esses sonhos são possíveis ou impossíveis: é preciso ousar! O desesperançado é somente um fantasma sem voz, sem alma, sem rumo. É natural do ser humano querer ser admirado por seus feitos, e ser considerado grande mesmo na sua pequenez. E para ser grande é preciso perseguir os ideais até alcançá-los, ou morrer lutando sem desistir jamais da batalha.


O Velho e a Menina
Romance de 
Margarete Solange
Literatura Brasileira 
ISBN: 978-85-68246-18-4 
1ª edição
Ano:  2014,  páginas: 142
Oito Editora:
Imagem da capa: Felipe Galdino


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Um dos Malfeitores

Às vezes, convivemos com ladrões e não lhes conhecemos as verdadeiras faces, porque estes, além de nos roubar, nos enganam. Neles confiamos por não saber que eles, mesmo não portando armas, nos roubam ainda mais do que aqueles que fazem desse ofício uma profissão.




Margarete Solange
Contos Reunidos 
Sarau das Letras, 
2014,  p.162
Trecho do conto
Um dos Malfeitores, 
Fotografia de
 Felipe Galdino

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Resumo do Livro Rebeca

A história se passa em um tempo antigo, mais precisamente a época do rei Nabuconosor, e se utiliza de linguagens e simbologias bíblicas para mostrar a trajetória de uma mulher que traça estratégias, mata para se defender, e luta em tempos de guerra para proteger sua gente e sua aldeia dos ataques de soldados inimigos. Para não se tornar mulher do próprio sogro, a jovem viúva foge durante a noite acompanhada de seu irmão Ismael e esconde-se no Vale do Sitim. Lá permanece escondida em cavernas esperando que o irmão retorne para buscá-la trazendo com ele o seu pai Eliacim. Mesmo vivendo em tempos nos quais a mulher era uma espécie de propriedade privada considerada em tudo inferior ao homem, a bela Rebeca se destaca tornando-se respeitada e conquistando privilégios que eram concedidos somente aos anciões conselheiros do povo. 


REBECA
Romance de 
Margarete Solange
Literatura Brasileira 
ISBN: 85-911291-2-1
1ª edição
Ano:  2000
Editora: Santos
Mossoró RN
70 páginas

domingo, 14 de setembro de 2014

Nada se perde,

Nos limites da imaginação e da mão daquele que cria, tudo se aproveita, nada se extravia. Na vida e na morte, no riso e no pranto, com uma pitada de sal, aumentos e descontos, temperam-se os pontos que se transformam em contos. Tudo se recria: fatos reais, sobrenaturais, o enredo que se lê e o incidente que se conta; o provável e o possível. Aquilo que foi ou mesmo coisa que jamais aconteceu convencem como verdades, especialmente se narrados pelo “eu”. Seja felicidade, tédio ou amargura, para um escritor, nada se perde, tudo se transforma em literatura. 

Margarete Solange 



Fonte: Margarete Solange, 
Contos Reunidos. 
Editora Sarau das Letras, 
Trecho do Conto: 
Inventor de Contos
2014, p. 61