O homem pode não ser rico, mas se ele tiver na bagagem a leitura será mais que isso: será sábio. A sabedoria, sem dúvida, é grandiosa, é tudo na vida, não na morte. Na morte, todos os homens são igualmente leigos.

Margarete Solange. Contos Reunidos, p. 98

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domingo, 9 de maio de 2021

Agraciada

poesia de Margarete Solange

Quem é esse anjo que cuida
Da criança doente,
E com mãos leves
Afaga a cabeça carente?
Nas madrugadas silentes,
Pacientemente vela.
Ao longo de sua existência
Zela, exorta, ensina e ama.
Sabiamente aconselha,
E com instinto sobrenatural
Pressente o mal.
Essa pessoa tão terna
Que ao seio alimenta,
Com os braços acalenta
E com a voz doce
Canta canções de ninar,
É uma mulher virtuosa,
Cheia de graça e firmeza,
Que da fragilidade extrai fortaleza,
E se diz bem-aventurada
Por ter sido agraciada
Com a bênção de ser mãe.





Imagem Eduarda Fernandes
Poesia de Margarete Solange.
Inventor de Poesia 2ª edição,
Editora Oito, 2014, p. 54

sábado, 13 de maio de 2017

M Ã E . . .

poesia de Margarete Solange
Teu nome é sublime,
Precioso como as muitas jóias da coroa real.
O encanto que teu nome traduz é mais envolvente
Que a beleza das flores,
Porque as flores passam, mas o teu nome permanece.
E em cada canto, cada lar, cada nação
Tu és... tu és... tu és...
És o abrigo dos braços que embalam,
O remédio das dores que não se explicam.
Tu és como a música que acalma o choro aflito,
Esperança do pequeno que conduzes pela mão,
Atravessando as ruas,
Atravessando o medo,
Atravessando a vida.
És símbolo de mulher forte
Que edifica sua morada para que seus filhos
Nela repousem seguros.
E dessa fortaleza és a guardiã escolhida por Deus.
És o bem que quem não tem lamenta e chora
E quem possui não quer perder jamais.
Mãe, muitas vezes chorastes
E te sentistes tão só,
Carregando sobre os ombros a responsabilidade
De guiar teus filhos pelo caminho do bem.
Erga os olhos e veja que não estás sozinha:
– Mulher, não chores... porque o Senhor é contigo 

E o “teu valor muito excede ao de rubis”!


Fotografia de  Klêyson Sena






Fonte
Margarete Solange.
Inventor de Poesia 
 2ª edição, 
Editora Oito,
2014, p. 34



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Inventor de Poesia Infantil 2ª Edição


Pela Editora Sarau das Letras chega a nossas mãos  a  2ª edição do caçulinha fofo e colorido Inventor de Poesia Infantil. Dos livros da escritora Margarete Solange  este é sempre o mais vendido. Além das poesias da primeira edição, a 2ª edição traz novas poesias incluindo os poemas feito para Leon, Aninha e toda turma da Família Literário Bloguinho. O livro está classificado como Poesia Infanto juvenil; literatura Infantil, no entanto ele cai bem para todas as idades. O prefácio é da professora Midiã Borges, as ilustrações de Isaura Barbosa e ainda um posfácio da autora Margarete Solange revelando os bastidores. Esse trio de mulheres chama atenção porque capricha naquilo que faz. O livro está lindo! 


EM BREVE 
DISPONÍVEL 
NA LIVRARIA
SARAIVA.






quinta-feira, 1 de outubro de 2015

No meio do nada

             poesia de Margarete Solange
Cinquenta anos...
E eu aqui sentada no meio do nada,
Plagiando a mim mesma...
Melancólica!
Lá fora o mundo se estende
Moderno, prático, carrasco!
Encarcerada em minhas próprias paredes,
Lamento as horas perdidas.
Para sentir-me realizada,
Tento crescer em palavras
E busco a lógica da vida.
Vão-se os anos...
E eu sem realizar grandes feitos,
Da varanda contemplo as estrelas,
Sonho viajar pelo mundo,
Compreender as pessoas,
Entender a mim mesma.
E se eu plantasse uma árvore,
Esse feito me traria grande contentamento?
Nem mesmo sei o que seria grande,
O que seria belo demais para o mundo.
Que feito grandioso poderia
Brotar de um peito tão singelo?
Tenho braços curtos, pernas lentas,
Olhos limitados.
O pensamento voa alto como águia,
Mas o pensamento é algo irreal,
Não é concreto, é vento!
E a águia fascinante em quem me inspiro,
Imponente personagem das fábulas,
É um bicho do deserto...
E não tem melodioso canto.
Ser pequeno parece mais verdadeiro!
Belas epopeias, tudo ficção,
Somente na dureza do dia a dia,
Na injustiça e no trágico,
O mundo se faz mais real.





Margarete Solange,
Inventor de Poesia, 

2ª edição, 

2014, p. 30 
Fotografia de 
Jorge Luiz



sábado, 9 de maio de 2015

Agraciada

            poesia de Margarete Solange

Quem é esse anjo que cuida
Da criança doente,
E com mãos leves
Afaga a cabeça carente?
Nas madrugadas silentes,
Pacientemente vela.
Ao longo de sua existência
Zela, exorta, ensina e ama.
Sabiamente aconselha,
E com instinto sobrenatural
Pressente o mal.
Essa pessoa tão terna
Que ao seio alimenta,
Com os braços acalenta
E com a voz doce
Canta canções de ninar,
É uma mulher virtuosa,
Cheia de graça e firmeza,
Que da fragilidade extrai fortaleza,
E se diz bem-aventurada
Por ter sido agraciada
Com a bênção de ser mãe.




Fonte:
Margarete Solange.
Inventor de Poesia 
2ª edição
Oito Editora, 2014,
p. 54

domingo, 8 de março de 2015

Simplesmente Mulher

                   poesia de Margarete Solange

Uma mulher... 
Poesia para os olhos,
 
Delicada, gritante.
Afaga e inquieta a alma. 
Criação do artista que pinta com palavras,
Que compõe versos no barro poético.
Uma mulher é uma composição buliçosa, 
Sem rima, sem métrica, sem certezas.
Inspirada, ambígua, complexa!
Uma sucessão de metáforas, 
Uma alegoria.
Despida de regras: 
Solta, livre... Nua, pura, 
Nem pecadora, nem santa: sem lógica! 
Verdadeira ou duvidosa. 
Bela... Enganosa! 
Sem querer, se faz ser...
Se impõe em versos,
Sendo o inverso, o universo...
Uma mulher é uma pintura única, rara!
Que não se imita, que não se explica.
Em preto e branco ou em cores...
Esplendorosa!
Submissa, contraditória, sagaz! 
Antiga, moderna, atemporal.
Perfeita ou imperfeita: grandiosa!
Arte dominadora e indomada,
Obra prima universal.
Uma mulher é uma mulher
E não precisa ser mais nada!




Fonte:
Margarete Solange
Inventor de Poesia, 
Oito Editora, 2ª, 
2014, p.38 

Fotografia de
 Felipe Galdino In
 Felipe G Fotografia

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Resposta ao Silêncio

                  poesia de Margarete Solange

Fala-se bem do silêncio
Em diversas línguas, 
Através dos séculos...
Entronizado em todas as nações,
O silêncio é soberano.
O silêncio é sábio...
Mas nem sempre.
O silêncio é necessário...
Não em todo o tempo.
Calar pode ser um erro,
Ou não ser a melhor resposta.
Há momento
Em que o silêncio mente,
E situações em que omite palavras
Que seriam preciosas de se ouvir.
Calar mata o condenado
Que anseia por ouvir o perdão,
E o solitário que anela ouvir
Uma palavra qualquer.
Há momentos
Em que em vez de desculpas
Se ouve o silêncio,
E em vez de uma palavra de carinho
Ecoa o silêncio mortal.
O silêncio é bom...
Mas nem sempre.
Há tempos e situações
Em que a palavra precisa se impor,
E usurpar a soberania do silêncio
Para se fazer ouvir
Como melhor resposta.






Fonte:
Margarete Solange
Inventor de Poesia
2ª edição, 2014, p. 36
Oito Editora

domingo, 20 de julho de 2014

Amigo

                              poesia de Margarete Solange

Quando amamos um amigo
E esse amor é verdadeiro, jamais acaba.
Não se apaga com o sopro do vento,
Não se perde com o tempo,
Nem some à distância...
Se o amigo sofre,
Sua dor nos aperta o peito.
Quando vence, nos alegramos de sua vitória.
Não o consideramos semelhante às pessoas comuns,
E ele é verdadeiramente alguém especial e raro.
Se nos magoa, rapidamente esquecemos suas ofensas
Se o ferimos e não nos perdoa,
Somos terrivelmente atormentados pelas lembranças alegres
dos dias em que sorrimos juntos.
Mas mesmo assim lhe desejamos todo bem desse mundo.
E, pelo resgate de sua amizade,
Daríamos metade de nosso tesouro.



Foto de Felipe Galdino



Fonte: 
Margarete Solange.
Inventor de Poesia: 
 Queima-bucha,
 2010,   p 25.
.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vida e Obra

                     poesia de Margarete Solange

Amanhece...
A cidade cresce
E eu dentro dela me levanto.
Trabalho esculpindo poesias,
Aparando as arestas,
Lapidando aqui e ali...
Dizem que sou melhor criando em prosa,
Também acho que sim...

Entardece.
O sol declina e anuncia
Que o tempo avança,
Não espera por quem ficou para trás.
Pessoas voltam do trabalho, têm pressa,
Não se importam com a pintura do céu.

Sigo pelas ruas,
Mentalmente faço versos,
Crio personagens...
Para quê?

Para onde caminha a cidade?
Para onde correm os dias,
Todos os sóis,
Todos nós...

Um dia o que dirão sobre a cidade,
Sobre o sol...
Sobre estes versos e aquela que os criou?

Para onde vai a imagem
Que agora contemplo no espelho?
Emudecerá e retornará ao pó?
Sim... A menos que se torne imortal!



Fotografia de Margleice Pimenta

Fonte: Margarete Solange.
Inventor de Poesia: 
 Queima-bucha, 2010
 Poesia "Vida e Obra",  p 26.


Às Mulheres

                                                     poesia de Margarete Solange


Quem pode entender as mulheres?
Elas são tão complicadas,
Carentes, dengosas,
Mui amadas, maravilhosas.
Difíceis de se contentar com tão pouco.
Reclamam, principalmente com quem amam,
Mudam de estilo como o camaleão,
Mesmo na simplicidade são vaidosas,
Até as feias são charmosas,
Gostosas de abraçar,
Irresistíveis, ternas, maternas, talentosas,
Frágeis, ágeis, perigosas...
Brilhantes como o sol, bravias como o mar,
Encantam... Embora não sejam tão apreciáveis
Em todas as suas fases
Minguantes, ficam implicantes,
Depressivas, prontas para atacar,
Ou chorar por qualquer razão.
Rosas perfumadas com beleza e espinhos,
Braços para abraçar, palavras para ensinar,
Lições para guardar no fundo d’alma.
Por causa delas o mundo se comove,
E nas batalhas vencem sem usar armas mortais.
As mulheres são: de dia como sol,
De noite como lua, como o céu cheio de estrelas.
Quem pode resistir aos seus encantos?
Quem pode existir sem elas?





Fonte:
Margarete Solange.
Inventor de Poesia 
 Queima-bucha,
2010,  p.23