O homem pode não ser rico, mas se ele tiver na bagagem a leitura será mais que isso: será sábio. A sabedoria, sem dúvida, é grandiosa, é tudo na vida, não na morte. Na morte, todos os homens são igualmente leigos.

Margarete Solange. Contos Reunidos, p. 98

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terça-feira, 2 de maio de 2017

A n i n h a

Poesia de Margarete Solange.
.

No tempo em que a raposa
Era amiga da galinha,
E a vaca tossia
E ainda dava uma rodadinha,
Existiu na terra
Uma minhoca engraçadinha,
Alegre e exibida,
Que se chamava Aninha.
Fazia amigos por toda parte,
Vivia de bem com a vida.
Mesmo não tendo beleza,
Era muito convencida.

Ao descobrir que lagarta
Se transforma em borboleta,
Muito esperta a minhoquinha
Arranjou uma caneta,
E sem que alguém visse
Escreveu com convicção
Que sua mãe era uma lagarta
e seu pai um lagartão.
Na hora de mudar e
Se transformar em borboleta,
Aninha, de novo, apoderou-se da caneta
E modificou a sua história,
Que já estava prontinha,
Dizendo que se transformara
Numa linda menininha.


Vaidosa e exibida
Pediu ao ilustrador
Que a fizesse colorida,
Com roupa extravagante,
Corpo sob medida,
Sapatos cor-de-rosa,
Elegante e divertida,
E assim Leon a fez
Do jeito que ela sonhou.

Depois a narradora,
Que se chamava Marina,
Percebendo a mudança,
Encantou-se com a menina.
Deu-lhe nome e sobrenome
E até uma profissão.
Anita Dicaprio
Tornou-se uma estrela,
Não de televisão,
De um blog literário,
Onde muito faladeira
Dizia o que queria
Recheando com besteira.
A super-Aninha,
Não se acha, tem certeza.
Foi assim que ela surgiu
E conseguiu sua beleza.
Hoje, famosa e admirada,
É favorita dos adultos,
Amiga da garotada.


Sentindo-se cansada
De seu exibimento,
Estudou muitos assuntos
E ganhou conhecimento.
Quis ser calma e comportada.
Não encontrando a caneta
Para modificar sua história,
Pediu ajuda a Marina.
A narradora madrinha
Não possuía varinha
Nem era fada encantada,
Mas tinha grande talento
E levava em suas mãos
Um poderoso instrumento,
E com ele escrevia
Fosse noite, fosse dia
A história que quisesse.

Ao anunciar em público
Aquela decisão,
A resposta inesperada
Provocou grande emoção:
Seu jeito arrebatado
Espontâneo e sincero
Cativava os fãs
Por encanto e por mistério.
Seus amores e amoras,
Do ancião à criança,
Todos se agradavam dela,
Ninguém desejava mudança.
E foi assim que a Super-Aninha,
Com grande satisfação,
Percebeu que se exibir
Faz parte da profissão.





Margarete Solange,
Inventor de Poesia 
Infantil, 2ª edição, 
Sarau das Letras,
 2016, p. 120-122
Ilustração; 
Isaura Barbosa











terça-feira, 25 de abril de 2017

Bagunça no Jardim

Não vou mais tolerar
Tanta bagunça no meu jardim.
Planto grama, nasce capim...
Os espinhos me furam os pés,
As flores não florescem,
Os espinhos crescem.
Cachorro faz xixi
Aqui, ali, além e acolá.
Não vou mais tolerar
Toda essa sujeira.
Quando tento organizar
As formigas encrenqueiras
Me atacam a perna inteira.
Em fileiras, traiçoeiras,
Cortam as folhas das roseiras
Trabalhando sem parar,
E isso é trabalhar?
Não vou mais tolerar,
Vou atrapalhar
Essa brincadeira,
E as formigas arteiras
Não vão mais trapacear.





Margarete Solange,
Inventor de Poesia Infantil,
  2ª edição, 2016, p. 47
Sarau das Letras,
Ilustração; Isaura Barbosa