O homem pode não ser rico, mas se ele tiver na bagagem a leitura será mais que isso: será sábio. A sabedoria, sem dúvida, é grandiosa, é tudo na vida, não na morte. Na morte, todos os homens são igualmente leigos.

Margarete Solange. Contos Reunidos, p. 98

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sábado, 17 de abril de 2021

O Silêncio das Lembranças - 2ª edição

Romance da autora Margarete Solange, o Silêncio das Lembranças, em sua 2ª edição, em 2019, pela Sarau das Letras, conta a história de Marina e Marisca, meninas apaixonadas por leitura e pelo contato com a natureza. Felizes, brincam soltas pelas terras de um mundo encantado composto pelos sítios e pela Casa Grande da família paterna.

Na primeira parte da obra, a narradora inicia com uma pincelada na infância, mas logo chega a adolescência, época em que as meninas estão descobrindo o amor e muita coisa inusitada acontece. Marisca, atrapalhada e dotada de imaginação fértil, confunde a realidade com o mundo dos livros.

Na segunda parte da história, a trama se desenrola na cidade, então surgem as reviravoltas. A irreverente Marisca torna-se jornalista e escritora e resolve juntar as lembranças daquilo que leu, viu e ouviu para escrever um romance no qual Marina é a personagem central.

Narrando sobre a irmã, revela tudo o que sabe, todavia, falando de si mesma, omite detalhes importantes que o leitor precisa empenhar-se para desvendar.










Margarete Solange,
O Silêncio das Lembranças. 
2ª edição, 2019,  340p.
Editora Sarau das Letras,
Imagem da capa:
'Moradia dos Sonhos' 
Pintura do artista Alex Jr




quinta-feira, 2 de junho de 2016

Lançamento Rebeca 2ª Edição

A obra Rebeca nos proporciona uma leitura fluida e agradável. Com descrições objetivas, o enredo avança enfocando as ações em si.  A protagonista está longe de encaixar-se no estereótipo de mulher frágil, à espera do herói que irá resgatá-la de situações de perigo. Rebeca se destaca pela personalidade forte, pela aptidão para manusear armas e executar artimanhas que pertencem ao universo masculino de sua época. Sua força está na inteligência, assim para travar luta corporal com o inimigo, ela não precisa masculinizar-se. E apesar de ter vivido há milhares de anos, possui características da mulher pós-contemporânea que luta e vence várias batalhas diárias, tendo que ser multitarefas. Ver a heroína triunfar sobre os seus inimigos é fascinante, de modo que mesmo que a obra mostre valores completamente diferentes dos nossos dias, as ações da personagem mostram-se como algo circunstancial, cabível no contexto histórico em que se situa a narrativa.

Késia Maressa


          VENDA 
              
                LIVRARIA 
                   
                         SARAIVA
R E B E C A  
Romance de Margarete Solange
Literatura Brasileira 
ISBN: 978-85-5518-050-7
Ano:  2016,  páginas: 144, 2ª edição
Editora: Sarau das Letras,
Prefácio: Késia Maressa
Posfácio: a autora
Imagem da capa: Felipe Galdino.


sábado, 19 de setembro de 2015

Fazenda Solidão, 2ª edição

SINOPSE 

A velha casa construída pelos antepassados do escritor fica isolada num alto depois da Curva da Morte. Na Fazenda Solidão a paisagem é fascinante, um lugar cheio de encantos naturais que inspiram Rodrigo a escrever romances e poesias. Sua vida está plantada como profundas raízes no chão do lugar; no entanto, por causa das muitas dívidas contraídas pelo irmão mais moço, a propriedade terá que ser vendida. Elizabeth, herdeira das terras vizinhas, propõe comprar a fazenda, porém impõe uma condição que Rodrigo a princípio não quer aceitar.


TRECHO DA OBRA

Um pequeno pássaro pousou sobre a parede da janela que abria para o pátio da frente da modesta casa do escritor. A avezinha movia a cabeça de um lado para o outro e piscava os seus olhinhos redondos. Instantes depois, voou atravessando o aposento em direção à janela de onde podia ser visto o nascer do sol. Desviou rapidamente o seu curso inclinando uma das asas para baixo, sobrevoou a mesinha sobre a qual estavam alguns papéis e a máquina de escrever e se foi, saindo pela janela de onde se podia observar, durante o dia ou em noites de lua cheia, a cancela da fazenda. Embora essa fosse uma cena corriqueira, Rodrigo acompanhou atenciosamente a trajetória do visitante alado. Um poeta busca enxergar a beleza das pequenas coisas.

SOBRE A AUTORA 

Nascida em Natal, Margarete Solange, escritora e professora, escreve em verso e prosa. Apaixonada pela leitura desde a infância e dotada de capacidade criadora, principiou na adolescência a escrever poesias, crônicas e peças teatrais. Autora de dez obras publicadas, recebeu premiação em concurso literário, na categoria contos, pela obra Ninguém é Feliz sem Problemas (2009) e pelo conto A intrusa (2014).

terça-feira, 5 de maio de 2015

Prefácio da obra - O Velho e a Menina

José Roberto Alves Barbosa

Santiago e Ilmar, dois velhos. Ambos aprenderam a enfrentar as agruras da vida com resignação. Aprendi a admirar Santiago muito cedo. Fui apresentado ao velho Santiago por um senhor americano, também velho, chamado Hemingway. Ressaltou o fatalismo de Santiago na tentativa de fisgar um grande peixe. Descobri, então, que Santiago era pescador. Hemingway disse-me que, para aquele velho cubano, pescar era um ritual religioso e, como tal, o holocausto se fazia necessário. Compreendi, assim, a exigência do sacrifício.
Em todo sacrifício há derramamento de sangue, por isso Santiago não só feriu, também teve que ser ferido e aspergir o produto de seu esforço com o próprio sangue. A maior dor que o velho teve que enfrentar foi a frustração de não obter o peixe tão desejado. Fora comido pelos tubarões. Devoraram tudo, não só o seu amigo peixe, mas também seus sonhos e expectativas.
Ilmar também teve os seus sonhos literalmente castrados. O amor desiludido, a dialética relação entre a esperança e o desencantamento permeava sua mente. Ouvi de Santiago, pelas palavras de um homem, mas foi uma mulher que me contou de Ilmar. Margarete destacou dilemas e frustrações do velho angustiado. Pela formação religiosa que lhe é inerente, Margarete preferiu ressaltar a comicidade e os resultados da experiência do velho Ilmar. Fiquei encantado com a história do velho, também sofredor. Em face da penumbra de sofrimento que acompanha Ilmar, acabou sendo inevitável fazer associações entre os dois velhos: Santiago e Ilmar. Por conhecer os lugares por onde passou Ilmar, acabei me identificando com o cenário em que ele viveu. Às vezes, chegava a me ver caminhando nas praias de Pirangi e Areia Branca. Pelo mar. Ou la mar como preferiria Santiago. Naquelas praias, Ilmar encantava os jovens contando suas estórias. É claro, todo velho, às margens de uma praia, adora contar estórias! Mas com Ilmar era diferente. Contar estórias era como lançar sementes na terra. Participar do processo criador. Construir, ao mesmo tempo, sonhos e ilusões. Celebrar a vida.
Desde cedo, Ilmar percebeu que a vida vale a pena, quando conseguimos lhe dar sentido. Com as estórias do velho sofredor, constatamos que o homem se recusa a ser o que lhe dizem que é. Por isso, através da arte, busca transcender. A arte e a religião transcendem o homem. O próprio Deus revela-se, também na arte. Na poesia de Davi. Nos cânticos de Salomão. Na mensagem profética de Isaías. Na descrição filosófica do logos em João. Talvez seja, por isso, difícil de desassociar a arte de Deus. Hemingway e Margarete partem desse pressuposto. Hemingway, mesmo marcado pelo ateísmo, não conseguiu se desvencilhar da sombra da imagem do sofrimento humano, especialmente o de Cristo. Margarete, ao contrário de Hemingway, respira a fé cristã, por isso não tem receio de inserir, comparar e aplicar trechos bíblicos em sua interpretação do sofrimento.
Seguindo a arte de contar estórias, tanto Hemingway quanto Margarete comungam uma temática evidente no percurso filosófico e cristão. A questão do sofrimento humano. Sofrer talvez seja uma condição existencial.
Deixo-vos, portanto, com a narrativa de Margarete sobre o velho Ilmar, seguindo, com suas palavras poéticas, os desafios enfrentados pelas limitações da vida humana. Se o caro leitor ainda não conhece Santiago, recomendo que o faça. Enquanto isso, ouça a voz de Ilmar. Valerá a pena. No final, como eu, o caro leitor, também, será grato a Margarete por nos legar mais essa porção de sua habilidade literária e concluirá, como Hemingway, que o homem pode ser destruído, mas nunca derrotado.

Julho de 2001




O Velho e a Menina
Margarete Solange.
Oito Editora, 
Natal, 2014, 142 p.
Prefácio de: 
Jose Roberto Alves Barbosa
Foto da capa:
Felipe Galdino



domingo, 14 de dezembro de 2014

O Velho e A Menina


Sinopse 

O amor pela menina fez o velho aprender a sonhar novamente. E o sonhar impulsiona o homem a sentir-se capaz. A vida precisa dos sonhos para ser melhor vivida. Não importa se esses sonhos são possíveis ou impossíveis: é preciso ousar! O desesperançado é somente um fantasma sem voz, sem alma, sem rumo. É natural do ser humano querer ser admirado por seus feitos, e ser considerado grande mesmo na sua pequenez. E para ser grande é preciso perseguir os ideais até alcançá-los, ou morrer lutando sem desistir jamais da batalha.


Garras

Esse medo que temos
De tentar e fracassar
Muitas vezes nos derrota.
Somos capazes,
Mas ele diz que não somos,
E preferimos acreditar nele,
Duvidando de nós mesmos.
O homem pode ter asas
Em sua imaginação,
E garras como as águias,
Senhoras das alturas.
Se acreditar que é capaz...

  Margarete Solange

(conteúdo da contracapa do livro)
.
Resenha do livro O Velho e A Menina

O romance “O Velho e a menina” é uma história apaixonante. O ambicioso Ilmar deseja chegar ao topo da hierarquia militar, deseja ser rico, poderoso. É próspero em tudo que faz. Aos 12 anos foge de casa, morava em Araruna, município do agreste paraibano, cidade serrana. Queria saber mais sobre a guerra por isso foi se aventurar em Natal. Para crescer na vida, estava disposto a tudo, pisava os fracos, se aliava aos poderosos. Traiu o amigo, tomou-lhe a namorada. Iria casar e ter muitos filhos. Em breve seria sargento, mas o destino deu-lhe uma rasteira e o fez literalmente cair ao chão. Seus sonhos foram castrados e desde então viveu solitário, enclausurado em seu pequeno mundo, onde somente autores e livros tinha permissão para entrar. Hemingway era seu amigo mais chegado, com ele costumava conversar em sua meditações contemplando o vai e vem das ondas do mar no entardecer. Com frequência, relembrava o trecho da história O velho e mar na qual o velho Santiago conseguia fisgar o seu grande peixe. O velho Santiago era admirável, enquanto ele, o velho Ilmar, não era mais. E ele nem era tão velho assim, a velhice chegou para ele prematuramente. Qualquer dia a morte bateria a sua porta e o levaria com ela; não iria resistir, iria segui-la submisso. Lamentava o fato de que nada deixaria que registrasse a sua passagem sobre a terra. Era um fraco, um homem medíocre, assim pensava, até que conheceu uma menina alegre, cheia de vida que o fez novamente acreditar que valia a pena sonhar e lutar para alcançar a realização de todos os seus sonhos, mesmo aqueles que lhe pareciam impossíveis.
Marina Bravia

Trecho do Prefácio
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Santiago e Ilmar, dois velhos. Ambos aprenderam a enfrentar as agruras da vida com resignação. Ilmar também teve os seus sonhos literalmente castrados. O amor desiludido, a dialética relação entre a esperança e o desencantamento permeava sua mente. Ouvi de Santiago, pelas palavras de um homem, mas foi uma mulher que me contou de Ilmar. Margarete destacou dilemas e frustrações do velho angustiado. Todo velho, às margens de uma praia, adora contar estórias! Mas com Ilmar era diferente. Contar estórias era como lançar sementes na terra. Participar do processo criador. Construir, ao mesmo tempo, sonhos e ilusões. Celebrar a vida.

José Roberto Barbosa
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Trecho do Posfácio
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Li O velho e o mar, numa versão traduzida para o português, e isso limitava o meu campo de visão. Chamou-me a atenção o fato de que alguns colegas tinham opiniões contrastantes na análise dessa obra.
[...]
A velhice é inquietante porque limita os passos do homem e anuncia-lhe a morte, e ele não tem como deixar de ir ao seu encontro, a menos que a morte o encontre primeiro.
Essas e outras reflexões se avolumaram em meus pensamentos e, assim, a semente estava plantada. Dia a dia foram surgindo mais elementos para o nascimento de um outro velho. A fonética contribuiu para escolha do nome. Um amigo admirável de bom coração se chamava Ilmar; então esse nome me chegou trazido pelo vento. E embora o Ilmar que eu conheço não seja em nada parecido com o personagem que criei, peguei-lhe o nome emprestado.
Trabalhei algum tempo criando o enredo, montando começo, meio e fim. Visitei a praia onde o meu velho “morou” e ouvi aquilo que os moradores tinham para me contar a respeito do lugar.
[...]
Ao longo dos anos, a voz dos que leem as minhas obras tem sido peça chave em minha carreira. E, como para mim o leitor importa, e muito, é para ele, e por causa dele que escrevo e aprecio por demais saber que a leitura de meus textos suscita, em alguns, ora gargalhadas, ora lágrimas. E isso não tem preço.
A autora





Fonte: 
O Velho e a Menina
Margarete Solange.
Oito Editora, 
Natal, 2014, 142 p.
fotografias de 
Felipe Galdino.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Vida precisa dos Sonhos

O amor pela menina fez Ilmar aprender a sonhar novamente. E o sonhar impulsiona o homem a sentir-se capaz. A vida precisa dos sonhos para ser melhor vivida. Não importa se esses sonhos são possíveis ou impossíveis: é preciso ousar! O desesperançado é somente um fantasma sem voz, sem alma, sem rumo. É natural do ser humano querer ser admirado por seus feitos, e ser considerado grande mesmo na sua pequenez. E para ser grande é preciso perseguir os ideais até alcançá-los, ou morrer lutando sem desistir jamais da batalha.


O Velho e a Menina
Romance de 
Margarete Solange
Literatura Brasileira 
ISBN: 978-85-68246-18-4 
1ª edição
Ano:  2014,  páginas: 142
Oito Editora:
Imagem da capa: Felipe Galdino


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Resumo do Livro Rebeca

A história se passa em um tempo antigo, mais precisamente a época do rei Nabuconosor, e se utiliza de linguagens e simbologias bíblicas para mostrar a trajetória de uma mulher que traça estratégias, mata para se defender, e luta em tempos de guerra para proteger sua gente e sua aldeia dos ataques de soldados inimigos. Para não se tornar mulher do próprio sogro, a jovem viúva foge durante a noite acompanhada de seu irmão Ismael e esconde-se no Vale do Sitim. Lá permanece escondida em cavernas esperando que o irmão retorne para buscá-la trazendo com ele o seu pai Eliacim. Mesmo vivendo em tempos nos quais a mulher era uma espécie de propriedade privada considerada em tudo inferior ao homem, a bela Rebeca se destaca tornando-se respeitada e conquistando privilégios que eram concedidos somente aos anciões conselheiros do povo. 


REBECA
Romance de 
Margarete Solange
Literatura Brasileira 
ISBN: 85-911291-2-1
1ª edição
Ano:  2000
Editora: Santos
Mossoró RN
70 páginas

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O Silêncio das Lembranças

O romance se divide em duas fases. Na primeira, a narradora Marisca inicia com uma pincelada na infância e então no terceiro capitulo já entra na adolescência. E ai muita coisa acontece nesse período em que as meninas estão descobrindo o amor. Até a metade da obra o cenário é composto pelos sítios e pela Casa Grande da família paterna. Na segunda parte da história, todo mundo ficou adulto, então, acontecem as reviravoltas e grandes emoções.
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Resumo da obra 
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Marina e Marisca, duas meninas apaixonadas por leitura e pelo contato com a natureza. Felizes, brincam soltas pelos sítios que pertencem às suas tias, nos derredores da querida Casa Grande em Jardim das Vargens. Marisca, atrapalhada e dotada de imaginação fértil, confunde a realidade com o mundo dos livros. Espiona, às escondidas, os encontros de Marina e Stony, desaprova amizade da irmã com o solitário pintor. Tenta, de todas as maneiras sondar que tipos de pensamentos e sentimentos se escondem no íntimo da sensível Marina e do misterioso rapaz. Como não consegue compreender totalmente o envolvimento dos dois, inventa, dando sua própria interpretação, a partir daquilo que vê, ouve e ler no caderninho de páginas amarelas, no qual a irmã revela seus sentimentos. Acredita que pode protegê-la das ciladas preparadas pelo coração e assim atrapalha o romance dos dois com a missão de conduzi-la a um destino melhor. Na fase adulta, torna-se jornalista e escritora; então resolve juntar tudo o que leu, viu e ouviu para escrever um romance no qual Marina é a personagem principal. Narrando sobre a irmã, revela tudo o que sabe, todavia, falando de si mesma, omite detalhes importantes. Quanto aos sentimentos do solitário pintor, não há muito que revelar, uma vez que, como ela mesma costuma dizer em sua narrativa, “não se pode sondar o íntimo de um coração sem janelas”.
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Trechos do Posfácio

Do mesmo modo que, ao lermos uma obra, podemos nos identificar com vários personagens, um único personagem pode ter sido baseado em diversas pessoas. [...]

É natural que o romancista busque nas pessoas da vida real ou em personagens de outros autores características para suas criações. Stony, Marina e Heitor, por exemplo, são baseados em Heathcliff, Catherine e Edgar, personagens do romance de Emily Brontë. [...]

Pois é, às vezes até desejamos dar um final diferente a nossas criaturas, porém, nem sempre depende de nós autores fazê-lo. Eu sinceramente não esperava que Marisca aprontasse tudo que ela aprontou. Por vezes, planejamos de um jeito, mas o personagem teima e faz de outro, completamente fora do planejado. [...]
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.(Trechos do posfácio da autora Margarete Solange).
. 

Algumas cenas ilustradas


Para onde vai a criança que fomos um dia? Por acaso se perde no tempo?... morre?... se vai?... – Não. Está dentro de nós, até o fim de nossos dias. (p.84)

Ouvi falar que o seu Bastos havia sido mordido por um jumento e resolvi interrogá-lo sobre o incidente. Ele mostrou-me o braço direito que ficara bastante deformado a altura do antebraço e depois iniciou sua narrativa animado. (p.46)

Assim, estavam juntos outra vez, conversando amigavelmente, embora discordassem de vez em quando. Stony lia bastante e tinha muitas coisas interessantes para contar. Minha irmã ouvia, deslumbrada, quando ele derramava seus conhecimentos. (p.64)
Aproximou-se de mansinho e abraçou-a pela cintura. Apertou o seu rosto contra a cabeça de minha irmã. (p.69)


Permaneci apoiada à murada principal, que dava vista para a estrada larga por onde passavam os carros. Embora parecesse tranquila, não estava. Corria os olhos até onde podia alcançar a vista das vastas terras férteis. Contemplei a paisagem turva, por causa das lágrimas que brotavam incessantemente, descendo-me pelas faces. (p.83)

Desta vez sou eu quem vai inventar a história desse “chalé”... e vai ser um conto de terror, queridinha... prepare-se! (p.125)


Foi nessa época que escrevi o poema “O Silêncio das Lembranças”: (p. 175)
Era uma noite fria de dezembro de 1982. Marina e eu conversávamos em seu quarto diante do espelho. (p.194)

Levantei-me e segui até a janela que dava para o pátio da frente da casa e como era noite, eu nada poderia contemplar, além das sombras. O vento frio que soprou os meus cabelos curtos e ruivos nesse instante pareceu ter levado com ele as lembranças que eu queria sepultar. (p198)


A Fonte das Pedras Limosas era somente um lugar fantástico onde duas meninas brincavam de inventar histórias. Minha irmã, como toda escritora de talento, tem uma imaginação muito fértil: criou um personagem e me fez acreditar que ele era real. Pois é, os escritores são assim, usam suas palavras como se fossem varinhas mágicas que criam pessoas e mundos imaginários. Criam histórias e nos fazem acreditar nelas, e até vivê-las, como se entrássemos literalmente nas páginas de seu livro. A partir dos personagens de obras lidas, fazem recriações, e às suas novas criações misturam experiências vividas, roubando ou emprestando características de pessoas do mundo real que estão em sua volta. Marina sempre judiou de mim, testando o poder de suas histórias dramáticas. (p.200)


Custo acreditar que [...] 
E eu que acreditei quando ela me disse que jamais cresceria. (p.202)

Referência
Margarete Solange, O Silêncio da Lembranças
Editora Queima Bucha, 2011
Ilustrações de Jorge Davi e Roanny Phanuelly

domingo, 16 de setembro de 2012

A natureza não envelhece

 Margarete Solange
A natureza me fascina. Mesmo maltratada pelo homem, castigada pelo sol, torturada pela seca, é motivo para belas poesias. 
O veículo avança velozmente, como se voltasse no tempo. Olho a paisagem em volta, é como se o passado estivesse dentro dela. Tudo é tão igual. A natureza não envelhece. Está tal e qual eu a via quando era criança.”
Interrompi o meu texto para apreciar a paisagem. Quando tentei prosseguir, fugiu-me a inspiração. Abri novamente o caderninho de Marina para ler uma crônica na qual ela comparava as pessoas com a natureza. Ela escreveu dizendo:
“A natureza é uma arte sem moldura, feita pelas mãos do Criador dos criadores. A terra seca, o sol causticante, o mato cinzento, empoeirado; tudo isso me faz lembrar Poço-de-Pedras, o interior onde viveram os meus avós maternos. Um lugar perdido em meio a uma selva de galhos secos e pedras sem nenhum valor, mas que para mim e os meus irmãos pequenos eram verdadeiros tesouros, porque éramos inocentes e aquelas veredas de pedras arredondadas, de cores sem brilho eram belas para nós.
A natureza faz-me lembrar algumas vidas humanas. O mato verde seria as pessoas privilegiadas. As serras inabitadas, isoladas ao longe, aqueles que não têm a companhia de ninguém ou que preferem ser solitários. As enormes pedras, estas são iguais aos que nada sentem porque são duros e insensíveis. – Ó pedregosos corações, quem pode compreender os teus sentimentos? O que pode brotar de teu chão pedregoso e resistir entre os teus espinhos? Como podes compreender os que te amam se és como as pedras? Todavia, conforta-me saber que as pedras podem ser transformadas pela água, que insiste ao longo dos anos sem desistir jamais.
Há tragédias na natureza, como há nas vidas humanas, mas ela não maldiz os homens, tampouco o seu Criador. Os galhos secos, quebrados, o rio seco, chão rachado... Tudo se transforma em belas poesias. Quando desce a chuva e outra vez renova as suas cores, ela sorri, esquecida dos dias maus.
Até que ponto os seres humanos são realmente humanos, se fazem tanto mal aos seus semelhantes? Destroem o mundo em que vivem e atribuem ao Criador a culpa do mal que fazem a si mesmos.
Se o tempo voltasse, como podemos voltar ao lugar de onde saímos um dia, eu voltaria e seria outra vez aquela criança inocente, que conversava com Deus quando estava sozinha, que chorava às escondidas e transformava as árvores em companheiras e confidentes dos meus problemas infantis...
Sinto saudade de correr descalça em meio à chuva, de subir em árvores e pular de seus galhos, gritando como se fosse um pássaro livre a voar...”
[...]
Os poetas são pessoas diferentes. São como pássaros: se não podem voar, voam através da imaginação.


Fotografia de Jorge Luiz



Margarete Solange
trecho da obra
O Silêncio das Lembranças, 
Queima-bucha, 2011,
 p.200-201,202

sábado, 7 de julho de 2012

Resumo do livro Fazenda Solidão


A velha casa construída pelos antepassados do escritor fica isolada num alto depois da Curva da Morte. Dentro das terras da Fazenda Solidão a paisagem é fascinante. Um lugar cheio de encantos naturais que inspiram o escritor Rodrigo a escrever seus romances e poesias. Sua vida está plantada como profundas raízes no chão desse lugar. No entanto, por causa das muitas dívidas contraídas por Absalão seu irmão mais moço, a propriedade terá que ser vendida. Elizabeth, moça rica e mimada propõe comprar a fazenda para ajudar ao escritor, porém impõe uma condição que Rodrigo a princípio não quer aceitar.


Fazenda Solidão
Romance de 
Margarete Solange
Editora: Santos
ISBN: 85-911291-0-5
1º edição, 2001
160 páginas
Literatura Brasileira



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Poetas e Pássaros

Os poetas são pessoas diferentes. 
São como pássaros: se não podem voar, voam através da imaginação. 


Margarete Solange
trecho da obra O Silêncio das lembranças, 
Queima-bucha, 2011,  p.202

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Prefácio do livro O silêncio das lembranças

Prefaciar uma obra literária não é tarefa das mais fáceis, uma vez que se trata de uma grande responsabilidade para quem o faz. Principalmente quando a obra é de uma incansável e inquieta escritora como a professora Margarete Solange Moraes. Incansável e inquieta porque ela não para, vive a ler, a escrever, a expor suas experiências de leitura de forma espontânea e criativa.
No romance “O Silêncio das Lembranças”, com engenho e arte, Margarete retira personagens de suas leituras e transforma-as, mudando-lhes o caráter e a personalidade, tornando-as, ora mais brandas, ora mais severas, como é o caso de Stony, aparentemente um homem rude, apesar de ter curso superior, fechado em seu mundo, não aceita conselhos de quem se aproxima dele, nem deseja manter contatos com ninguém. Por outro lado, é exatamente esse seu jeito esquisito de ser e essa sua preferência pela solidão que motiva a sensível Marina a desejar conquistar sua amizade e confiança a todo custo.
Marina deixa transparecer suas emoções, Stony por sua vez, não costuma externar seus sentimentos, no entanto, em uma das passagens na qual se encontram e desentendem-se, expressa seu pensamento através de uma máxima, bem conhecida e citada por muitos:
– “[...] não acredito que existe amizade desinteressada entre um homem e uma mulher. Creio que entre um homem e uma mulher existem apenas dois tipos de sentimentos: o amor ou o ódio.”
O intrigante nesta obra é que a autora cria uma expectativa em torno dos encontros de Stony e Marina. Apesar da pouca idade, ela tenta mudar o comportamento do pintor solitário que não poucas vezes se esquiva da garota com frases bruscas, evasivas.
Dessa forma, a escritora cria um clima de tensão emocional tão elevado, quando acontecem os encontros e desencontros entre os dois, que, certamente, deixará o leitor ansioso por saber como terminará a relação entre eles, assim como aconteceu comigo.
Além disso, o romance está repleto de reflexões da personagem Marina e de sua irmã, a narradora Marisca, que aproveita em suas narrativas episódios da literatura, bem como ensinamentos bíblicos usados por pessoas de sua família. Ao longo da narrativa tais reflexões levarão os leitores a meditarem acerca das coisas da vida, do mundo e da fé.
Penetrar nas páginas deste exemplar fará os leitores fazerem uma viagem ao enigma criado pela autora mais uma vez, já que ela não é principiante na arte da palavra escrita. Já tive a oportunidade de ler outros títulos e este me deixou curioso pelo desfecho.
  
      Francisco Batista Pereira

Formado em Letras, professor de 
Língua Portuguesa e Literatura.



Fonte: Margarete Solange.
O silêncio das lembranças
Queima Bucha, 2011.
Ilustrações de Jorge Davi